16 outubro 2016 - 20:46
Cerca de 795 milhões de pessoas sofrem de fome crónica ( Dia Mundial de Alimentos)

Um número preocupante que é preciso recordar no dia em que se assinala o Dia da Alimentação.

O Dia Mundial da Alimentação é celebrado anualmente a 16 de outubro, desde 1945, data da criação da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), com o objetivo de promover a reflexão e o debate sobre o quadro da alimentação mundial e principalmente a fome no planeta. Em todos os anos é proposto um tema, a partir do qual são desenvolvidas iniciativas em todo o mundo. A luta contra a fome e desnutrição, pobreza e segurança alimentar, sistemas alimentares saudáveis, foram já objeto de reflexão e ampla análise em anos anteriores, entre tantos outros problemas elegidos.

De acordo com esta organização, atualmente uma em cada nove pessoas no planeta sofre de fome crónica o que, dito por outras palavras, significa que 795 milhões de pessoas passam fome em todo o mundo.

Mais preocupante é ainda o facto de, pelo menos, 100 milhões destas pessoas serem crianças. Os dados mais recentes revelam que uma em cada seis crianças no mundo está subnutrida e uma em cada quatro está a definhar por falta de comida. A subnutrição é, aliás, a responsável pela morte de mais de três milhões de crianças todos os anos.

O maior desafio, como escreve o Huffington Post, é o de garantir que os alimentos cheguem a todas as pessoas carenciadas. Mas não só. É também urgente tornar o sistema alimentar sustentável.

Alimentos são desperdiçados de várias formas: pela produção em excesso, ao caírem dos caminhões durante o transporte, ficando em estoque… Entretanto, boa parte do desperdício ocorre exatamente onde o alimento deveria ser aproveitado: na cozinha. O descarte de cascas, sementes e raízes que poderiam ser usadas em diversas receitas é um exemplo de como jogamos na lixeira o que deveria estar no prato.

A alimentação sustentável combate este processo, por meio do aproveitamento integral, do planejamento na hora de ir às compras e da conservação. Menos lixo acumulado, menos dinheiro gasto em vão e melhor distribuição de mantimentos. Tudo isso com pequenas mudanças no dia a dia.

Este ano a FAO destaca a alimentação como forma de preservação do meio ambiente com o mote “O Clima está a mudar: a comida e a agricultura também devem mudar”.

Estima-se que, tendo em conta o aumento populacional, até 2050 o planeta terá de aumentar a produção em 60% de forma a conseguir responder adequadamente às necessidades da população. No entanto, as mudanças climáticas que se preveem terão um efeito negativo no cultivo e na quantidade e qualidade dos alimentos produzidos. Por conseguinte, o declínio na produção alimentar, conjugado com o incremento da procura, terá como consequência o aumento dos preços, culminando numa maior desigualdade no acesso aos bens alimentares.

Diante o cenário que se perspetiva, é fundamental sensibilizar o mundo e as sociedades para as questões associadas ao tema tendo em vista um amplo despertar de consciências e mobilizar para a ação.

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